Com a decisão n. 13292 de 17 de dezembro de 2024 (depositada em 7 de abril de 2025), a Corte de Cassação volta a pronunciar-se sobre a fronteira entre furto simples e furto agravado ex art. 625, parágrafo 1, n. 7, c.p., quando a «coisa» subtraída é funcional a um serviço público. A ocasião é dada pelo caso de C. B., condenado por ter roubado alguns contentores destinados à recolha de óleos usados. O comentário que se segue pretende ilustrar, de forma clara e divulgativa, as razões da Suprema Corte e as repercussões práticas para operadores e cidadãos.
A agravante prevista pelo art. 625, parágrafo 1, n. 7, c.p. aplica-se quando a coisa roubada é «destinada a serviço público, utilidade, defesa ou reverência». O Texto Único Ambiental (d.lgs. 152/2006) completa o quadro estabelecendo, no art. 177, que a gestão dos resíduos persegue finalidades de tutela da saúde humana e do ambiente, verdadeiros interesses públicos de rango constitucional (art. 9 e 32 Cost.).
O arguido sustentava que os contentores pertenciam a uma sociedade privada e que, portanto, não se poderia configurar a agravante. A Corte distrital de Ancona já tinha rejeitado a tese, decisão agora confirmada pela Cassação. Para os juízes, conta a destinação funcional do bem e não a titularidade formal: se a recolha dos óleos usados é realizada em regime de concessão ou contrato, o serviço continua a ser público.
Integra o delito de furto agravado pela destinação da "coisa" a serviço público a subtração de contentores de óleos usados, mesmo que de propriedade de sujeitos privados que operem em regime de contrato ou de concessão, pois a recolha dos mesmos concerne a um serviço público que, correlacionado à gestão de resíduos, persegue finalidades de tutela da saúde humana e do ambiente.
Comentário: a máxima evidencia dois pontos chave: primeiro, o conceito de «destinação» prevalece sobre a propriedade; segundo, a gestão dos óleos usados é considerada pública porque incide diretamente na saúde coletiva e no ecossistema. O furto, portanto, lesa não só o património do proprietário, mas sobretudo o interesse público na correta gestão dos resíduos perigosos.
A Cassação alinha-se com precedentes recentes (Cass. 29538/2023, 2505/2024, 9611/2025) e consolida um orientação de tutela avançada do ambiente. Daqui derivam implicações concretas:
A sentença n. 13292/2024 reitera que a bússola interpretativa do juiz penal orienta-se para a salvaguarda de interesses coletivos de primário relevo. Quando a «coisa» é instrumento de um serviço essencial à comunidade — como a gestão de óleos usados — a mão do legislador torna-se mais pesada. Para as empresas contratadas é um sinal de garantia; para os cidadãos, um aviso sobre a gravidade de condutas aparentemente «menores» mas potencialmente danosas para o ambiente e a saúde de todos.