No sistema processual italiano, a fundamentação da sentença representa o eixo sobre o qual se apoia a democraticidade do poder jurisdicional e a tutela do direito de defesa. O juiz tem a obrigação constitucional de explicar o iter lógico-jurídico que o conduziu a uma determinada decisão. Contudo, o que acontece quando a sentença contém uma pluralidade de argumentações, algumas das quais supérfluas ou inseridas apenas ad abundantiam? A Corte de Cassação, com o despacho n.º 30721 de 21 de novembro de 2025, voltou a esclarecer este delicado aspeto, confirmando uma orientação já consolidada que visa simplificar e racionalizar o direito aos recursos.
O caso levado à atenção da Suprema Corte opõe D. (representado por W. M.) e O. (representado por M. G.). O Tribunal de Apelação de Salerno tinha emitido uma sentença de mérito que foi cassada com reenvio pela Cassação. O ponto central da controvérsia dizia respeito à estrutura da fundamentação da decisão impugnada, caracterizada por uma pluralidade de argumentações. O despacho n.º 30721 de 2025 coloca-se em perfeita sintonia com os precedentes das Seções Unidas, em particular a célebre sentença n.º 31024 de 2019 e a decisão conforme n.º 32092 de 2024, confirmando a importância de distinguir o que constitui a efetiva razão da decisão daquilo que é um mero comentário acessório.
Para compreender plenamente o alcance desta decisão, é fundamental analisar a máxima jurisprudencial de referência à qual o despacho se conforma:
Sempre que o juiz, após ter considerado inadmissível um pedido, ou um recurso, ou um fundamento de impugnação individual, formule por completude de argumentação uma fundamentação sobre o mérito, esta última, carecendo de utilidade e não podendo influir no dispositivo da decisão, não exerce qualquer função decisória, com a consequência de que a parte vencida não tem o ónus nem o interesse em impugná-la, sendo a impugnação admissível apenas se dirigida contra a decisão de inadmissibilidade.
Este princípio estabelece uma regra de ouro para os advogados e os cidadãos: se um juiz rejeita um pedido porque, por exemplo, foi apresentado fora do prazo (inadmissibilidade), e depois acrescenta no texto da sentença que "de qualquer modo, também no mérito o pedido seria improcedente", esta última afirmação não tem qualquer valor decisório. Trata-se de um simples obiter dictum. Consequentemente, a parte que perdeu a causa não deve desperdiçar fundamentos de recurso para contestar a avaliação sobre o mérito, mas deve concentrar as suas defesas exclusivamente na questão preliminar da inadmissibilidade.
A decisão da Suprema Corte tem um impacto prático notável na redação dos atos judiciais e na estratégia defensiva. Os aspetos principais a considerar são os seguintes:
O despacho n.º 30721 de 2025 da Corte de Cassação reafirma com força um princípio de pragmatismo jurídico. A fundamentação da sentença não deve ser um tratado académico no qual o juiz expressa opiniões não necessárias à resolução da controvérsia. Quando existe uma pluralidade de argumentações, cabe ao profissional do direito saber distinguir a verdadeira ratio decidendi dos obiter dicta, garantindo assim uma tutela rápida, eficaz e isenta de formalismos inúteis a favor do seu constituinte.