A Corte de Cassação, com a sentença n. 21233 de 09/04/2025, forneceu um importante esclarecimento sobre a aplicação das penas acessórias em acordo de apelação. Esta decisão reafirma o princípio da legalidade da pena e a necessidade de respeitar a normativa "ratione temporis" para a duração das sanções, mesmo em contextos negociais. Uma decisão crucial para as garantias do arguido e a correta interpretação do direito penal.
O caso dizia respeito a M. S. L. E. V. M., para quem a Corte de Apelação de Veneza havia disposto penas acessórias (Art. 317-bis C.P.) em caráter perpétuo. O problema: a normativa "ratione temporis" vigente, com base na pena principal acordada, previa apenas uma duração temporária. A Cassação, presidida pelo Dr. G. De Amicis e com relator e redator Dr. A. Costantini, qualificou tais sanções como "ilegais" por não conformidade com a lei.
A sentença n. 21233 de 2025 cristaliza o princípio essencial através da sua máxima:
Em tema de acordo de apelação, as penas acessórias de interdição dos cargos públicos e de incapacidade de contratar com a administração pública nos termos do art. 317-bis cod. pen., dispostas em caráter perpétuo apesar de, com referência à entidade da pena principal acordada, a normativa "ratione temporis" vigente prever a sua aplicação apenas temporária, constituem penas ilegais, com a consequente necessidade, por parte da Corte de cassação, de anular com reenvio a sentença impugnada "in parte qua", para que o juiz de apelação, mantido o conteúdo do acordo, proceda à redeterminação da sua duração segundo os parâmetros ditados pelo art. 133 cod. pen.
A Corte esclarece que uma pena acessória, mesmo que decorrente de um acordo, deve respeitar o princípio da legalidade (Art. 25 Cost., Art. 7 CEDH). Se a lei aplicável ("ratione temporis") previa uma duração temporária, a aplicação em caráter perpétuo torna-a "ilegal". A Cassação anulou, portanto, a sentença limitadamente às penas acessórias, remetendo os autos ao juiz de apelação para que redetermine a sua duração segundo o Art. 133 C.P., sem afetar o restante do acordo.
A decisão é um alerta significativo: o princípio da legalidade da pena é irrenunciável. As penas acessórias devem ser aplicadas com escrupulosa aderência à lei. A aplicação de uma pena acessória "ilegal" não é tolerável. A Suprema Corte intervém para garantir que cada sanção seja proporcional, legítima e conforme ao ditame normativo, reforçando a certeza do direito e a tutela dos direitos fundamentais do arguido.