A recente Ordem n.º 10322 de 16 de abril de 2024, emitida pela Corte de Cassação, oferece uma importante interpretação sobre a competência territorial em litígios relativos à transmissão mortis causa de participações sociais. A decisão, assinada pelo Presidente A. Valitutti e relator R. Caiazzo, foca-se na aplicação do artigo 23.º do Código de Processo Civil, clarificando as condições em que este artigo não se aplica.
O caso em questão refere-se à transmissão de participações sociais após um legado testamentário. A Corte estabeleceu que, embora tal transmissão implique uma alteração subjetiva na composição dos sócios, não afeta a relação social subjacente. Isto significa que o litígio não se submete ao critério de determinação da competência territorial previsto no artigo 23.º do CPC.
Em geral. O litígio relativo à transmissão mortis causa de participações sociais (no caso, por efeito de legado testamentário) não se submete ao critério de determinação da competência territorial previsto no art. 23.º do CPC, pois, embora implique uma alteração subjetiva na composição dos sócios, não afeta a relação social.
Esta máxima destaca um aspeto fundamental: a alteração na composição dos sócios, decorrente de um ato testamentário, não altera a relação social existente entre os sócios e a sociedade. Consequentemente, a questão da competência territorial pode ser tratada de forma diferente do que ocorre em litígios que envolvem diretamente o funcionamento da sociedade.
As consequências desta decisão são relevantes. Eis alguns pontos-chave:
Em conclusão, a Ordem n.º 10322 de 2024 representa um passo significativo na definição da competência territorial em litígios relativos à transmissão mortis causa de participações sociais. Sublinha a importância de distinguir entre alterações subjetivas e o impacto efetivo na relação social, contribuindo para uma maior clareza jurídica. Esta decisão oferece reflexões para juristas e profissionais da área jurídica que lidam com direito societário e sucessório.